Alto padrão lidera venda de imóveis no Brasil
Alto padrão lidera venda de imóveis no Brasil
ter, 05/13/2008 - 19:17 — Real Estate News
São Paulo - Apesar do baixo índice geral de venda dos imóveis novos como um todo (em torno de 8,5%), os negócios fechados com os chamados ‘alto padrão’ estão em ritmo bem mais acelerado, com média de 25%, e já representam 55% da receita geral de todo o setor imobiliário — que só no Estado de São Paulo atingiu um volume geral de R$ 5,16 bilhões até setembro deste ano, 26% mais do que no mesmo período de 2004.
O ritmo de vendas de imóveis nas principais capitais do País só está crescendo para empreendimentos de alto padrão ou de dois dormitórios. Nos outros segmentos, os estoques vêm aumentando. Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e São Paulo apontam que para 2006, o mercado deverá ultrapassar 10% na média de velocidade de vendas para empreendimentos lançados.
Segundo Romeu Chap Chap, presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), as iniciativas governamentais como a sanção da Medida Provisória 255, a chamada ‘MP do Bem’, beneficia a construção civil e será fundamental para o bom desempenho do setor em 2006. “A previsão é que o mercado feche este ano com cerca de 25% mais unidades lançadas, se comparado a 2004, quando chegou a cerca de 13,5 mil unidades”.
Já as vendas acumuladas de janeiro a setembro deste ano foram 18,7% superiores ao mesmo período de 2004. Foram vendidas só no mês de setembro em São Paulo 1.849 unidades habitacionais, contra 1.768 unidades escoadas em agosto — 4,6% superior a setembro de 2004. O Valor Global de Vendas (VGV) registrado em setembro foi de R$ 606,9 milhões.
O segmento de quatro dormitórios representa 25,2% do total comercializado entre janeiro e setembro, e lidera a participação no faturamento total, com 55% do VGV acumulado, o que corresponde a R$ 2,84 bilhões. As unidades de quatro dormitórios atingiram índice velocidade de vendas de 25,5% e os de três dormitórios de 14,6%.
A Gafisa , por exemplo, especializada em médio e alto padrão, lançou na semana passada no Rio de Janeiro o primeiro edifício do empreendimento Blue Land, um condomínio fechado com imóveis a partir de R$ 370 mil, dentro do Blue Condomínio das Américas, na Barra da Tijuca.
Com volume geral de vendas (VGV) de R$ 29 milhões, a primeira torre, com 80 unidades, de um total de 160, deverá ser erguida no primeiro semestre do próximo ano. “A projeção é que até o final deste ano esteja com 70% das unidades comercializadas”, diz Francisco Pedroso, diretor de incorporação no Rio de Janeiro. Ao todo serão lançados até o final deste ano 23 projetos.
A construtora Setin lançou cinco empreendimentos de médio e alto padrão este ano com VGV de R$ 200 milhões. Do total lançado, a construtora conta com VGV de R$ 170 milhões em estoque ou 700 unidades que variam entre dois e quatro dormitórios com unidades que custam entre R$ 100 mil e R$ 1,4 milhão. “Acredito que quando os juros baixarem, o índice de velocidade de vendas irá aumentar”, diz Antônio Setin, presidente da construtora.
Para 2006, o empresário projeta a mesma quantidade de lançamentos, além de investimento em publicidade para incentivar as vendas das unidades em estoque. Com isso, a empresa estima que as unidades de estoque irão diminuir em até 50% no 1º semestre de 2006. Em receita, a construtora deverá crescer 40% sobre o ano passado com previsão de chegar a R$ 200 milhões em faturamento.
Já a Schahin Desenvolvimento Imobiliário , também no segmento de médio e alto padrão, lançou este ano três empreendimentos com VGV de R$ 110 milhões. Com total de 550 unidades, hoje com 66% comercializadas, Newman Brito, diretor, estima chegar até o final do ano com 70% de unidades vendidas. “Nosso estoque este ano é baixo. Contamos em estoque com 10 unidades para serem comercializadas”. Na empresa o índice de velocidade de vendas está na média de 25%. A companhia prevê em VGV para 2006 cerca de R$ 350 milhões em cinco projetos.
Bahia
Em Salvador, os lançamentos imobiliários caíram cerca de 25% até o terceiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2004. Já o número de unidades comercializadas subiu de 1.702 para 2.067, o que representa um incremento de cerca de 21% no período. Segundo o empresário e presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-Ba), Luiz Augusto Amoedo, estes números mostram que não está havendo encalhe de imóveis na capital baiana. “Tem empreendimento que já consegue ser todo vendido no lançamento”, comenta Amoedo, acrescentando que as poucas unidades que sobram são geralmente de imóveis de luxo. Por sinal, este é um mercado que está aquecido em Salvador. Dos lançamentos realizados este ano, 43% são de unidades com valores acima de R$ 250 mil. A meta do setor é chegar a 2,6 mil imóveis vendidos com uma média de 20% de crescimento em relação a 2004. “Na verdade, estamos crescendo em cima de um ano-base ruim, que foi 2004, quando só vendemos 2,2 mil unidades”, lembra Amoedo.
Minas Gerais
Na capital mineira, as expectativas dos empresários do setor, estão entorno dos efeitos da MP do Bem. Segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), o índice de velocidade de vendas de janeiro até setembro deste ano, está na casa dos 7,22%. O número de lançamentos teve queda significativa, não passando das 1.056 unidades até o mês de setembro. Até o mês de setembro de 2004, 1.494 haviam sido lançadas. O setor encerrou 2004 com um total de 1.739 unidades lançadas para um índice de velocidade de vendas de 6,93%. “Esse ano foi muito ruim para o setor. E os juros altos foram os principais responsáveis por esse fraco desempenho até agora”, afirma Walter Bernardes, presidente do Sinduscon-MG.
http://www.creci-sc.org.br/noticia.jsp?cd_pasta=52&cd_documento=718
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